outubro 30, 2004

Ontem...


Entre ânsias e suspiros acordei
entre voos de azuis brilhantes
entre palavras não falantes
que esperava,
de sonhos, viagens expectantes.
Silêncio, só ele me rodeava.

As horas, na sua lentidão agonizante
me olhavam espantadas
e num sussuro diziam: Delirante!
Aguardas o quê? O Nada?

O desejar, a esperança, a ilusão!...
Mas os sábios dizeres das horas
me percorreram, dia afora
em tensão
transformadas em pérolas sonoras
deslizantes. Me perguntava: E agora?!

Olhei em volta. Só brumas vi
Perdida de mim, tentei voar
A névoa que se adensava, colori
em vão... Deixa de sonhar!

Conformada, sem convencimento,
busquei rumos, leves indicações,
dizeres perdidos no Tempo.
Culpa minha, se não entendo?
Não pode, não há confrontações!

Trabalhei, dura, arduamente
no abraço do esquecimento
olvidando cada belo momento
anulando ânsias e pesares
pérolas brancas da Mente
e segui, como sempre, em frente.

Posted by amitaf324 at 08:43 AM | Comentários: (11)

outubro 29, 2004

Dois Tempos


fumo.jpg


O Sonho...

Tumultuosa noite densa
Formas espiraladas de côr
Movimentos perpétuos
Ao toque fugidias
Sucções de símbolos de música
Cambiantes d'azuis e verdes
Mares incessantes
Constantes no éter
Lembro-me! Sim, recordo...
Agitação tempestuosa na noite
Formas difusas tornadas fumo
Horas intermitentes
Lentidão de passos
Esgotada, adormecia. O sonho!...
Inexistência do eu
A espiral e o fumo pairavam
Coloridos, intocáveis, etéreos

O Despertar...

Agitação, ansiedade, inconstância
Dominadoras damas do dia
O sol transmutado em nada
Respirares ofegantes
Tornados de memórias
Incongruências, incoerências
Espirais, fumo, horas, esvaíndo-se
Embalos de racionalidades
Momentâneas, do presente
Acalmia de respirações profundas
Titânicas concentrações
Regresso da serenidade
Da luz da paz
Do meu sorriso

Posted by amitaf324 at 10:07 AM | Comentários: (8)

outubro 28, 2004

Regresso ao Infinito

emerald sky - Chris De Rubeis.jpg


Palavras levadas no vento
Em dias de calmaria
Dementes, incongruentes
Em brancas folhas pintadas
Com raios de sol pinceladas
Em mares d' azuis profundos

O sol sobre si mesmo gira
Na lua não há luar
Os lagos se revolveram
Os peixes emudeceram
Fiquei eu
Aqui

Sem sonhar

Regresso ao Infinito
Onde deuses me apelam
Do Hades sobrevivi
De Cérbero ilesa escapei
E parti

Juno estendeu seu manto
Mnemósine seu pó d'estrelas
O doce e belo Orfeu eu vi
E enlaçada em Morfeu
Adormeci
E segui
Serenamente
O azul da Noite

Posted by amitaf324 at 09:28 PM | Comentários: (4)

outubro 26, 2004

Pas-de-deux


amantes-pegada.jpg


Contigo um pas-de-deux ensaiei
Lenta... Lentamente...

Inexperiências de anos perdidos
de não procuras d'encantamentos
ouvindo musicalidades em sonhos
transformadas pela resonância
dos instrumentos em mim guardados

Contigo um pas-de-deux tentei
Inconsciente... Conscientemente...

Regressos de fugazes lembranças
desconhecidas, inexistentes, vãs
de entregas à dança em plenitude
entre sorrisos em sintonia
e entrelaçados ficares

Contigo um pas-de-deux dancei
Com fulgor... Intensamente...

Campaínhas, harpas, violinos, ouvi
em acordes uníssonos e constantes
conjugações de leveza, de movimentos
anseios realizados de glória
de serenidades sentidas de paz

Contigo um pas-de-deux completei.

Posted by amitaf324 at 09:26 PM | Comentários: (12)

outubro 24, 2004

Finalmente sorriste


maquina antiga.jpg


Comecei, de mansinho, muito a medo
desconhecendo ruas, trilhos, vielas
Apalpei temerosa o desconhecido
que curioso me questionava
sempre que lhe tocava

Primeiro um dedo, dois, três, a mão
deslizando pelo seu corpo rígido
entre acromas planícies e vales
de saliências rochosas, desertas
áridas de mim. Tudo em vão.

Persistente, determinada, curiosa
de saberes novos, arriscava
Amálgama de palavras e letras obtia
dispersas, perdidas, incoerentes
Mesmo assim, decidida, tentava...

Apelei deuses, santos e anjos
divindades míticas dos bosques
ao vento, à tempestade, ao mar
orei que em ser vivo te tornasses
para dar, receber e amar

Percorri rotas, sinalizações
Vesti-me de cores vivas, de luz
futilidades, ornamentações
Segui leituras, observações
que sei, agora, que a ti me conduz

Trabalhei-te com calma e serenidade
Obtive o que queria
Sem sofrimento nem mágoa ou dor
desnudei-te... e tu sorrias
feliz, por mim, meu computador.

Posted by amitaf324 at 01:11 PM | Comentários: (22)

Cores

la sombra del pincel - F. Mazo.jpg


A ansiedade veste de bege
A paixão vem de carmim
O desejo de escarlate
Atracção lê-se em marfim
A desilusão é cinzenta
De tons negros a angústia
O desespero amarelo
Castanha a melancolia
No verde brilha a esperança
O roxo mostra tristeza
O bordeaux certa inconstância
Há vivacidade no laranja
O amor azul só usa
A paz em branco caminha
O sorriso é côr-de-rosa
D' ouro e prata a alegria

Púrpura, turqueza, cobalto...
Miscelâneas de sentires
Musicalidades percorrem
Na sinfonia da vida
Vivida
A viver
Na pauta
Inacabada

Posted by amitaf324 at 01:07 AM | Comentários: (3)

outubro 23, 2004

Menina dos Caracóis

Correndo como louca, lá vai a menina dos caracóis, descendo a calçada.

Cabelos rebeldes, saltitantes, vestido de chita curto, colorido, esvoaçando na cadência do movimento apressado.
Descalça, chinelas na mão, saco noutra, de pés calejados por um hábito de vida, imunes aos escolhos da viela, ela não corre... voa!
De cara gaiata, olhos vivos, brilhantes, que tudo e mais querem ver.

Passa entre as gentes que com ela se cruzam, gentes de andar pesado, custoso, cansado, de ar sisudo pelo peso da existência árdua que sempre conheceram, qual turvelinho, sem as tocar, sequer roçar.

Alguém, numa esplanada improvisada de duas mesas à porta dum tasco, a chama, pergunta porque corre, mas ela não ouve... Ela, que tudo escuta, que nada lhe escapa, na sua sensibilidade curiosa de criança ainda.

Caracóis rebeldes, faces rosadas, em desalinho, de olhos luzindo como dois faróis, de sorriso aberto de felicidade, irrompe casa dentro, ofegante da correria:
"Mãe! Olha o que a senhora da casa grande me deu!"
E abre o saco.
Dele sai um fato de banho, já usado, e uma velha boneca de trapos que abraça carinhosamente.
"Mãe! Posso ir até ao rio? Posso?... Posso?..."

Posted by amitaf324 at 09:23 AM | Comentários: (4)

outubro 22, 2004

Palavras que jamais ouvirei

Como gostaria de escrever hoje algo diferente para ti!
Não posso. As letras recusam atravessar caminhos, percorrer ilusões.

Deambulo pela alta madrugada em acordares de sonhos agitados, transpirados, vendo o teu deslizar no espaço e minhas mãos tentando desesperadamente alcançar-te.

Falaste-me, no silêncio da noite, palavras que não ouvi, em sussuros sem som transformados.
Teus lábios moviam-se cadenciadamente e deslizavas na leveza do éter.
Planaste, voaste por cima de mim e eu não te ouvia, nem sentia, mas estavas lá.

Decisões? Desabafos? Ânsias? Saudades? , pergunto-me.
Questões sem resposta, sem clarividências de Luz.

Vagueei toda a noite contigo em palavras que jamais ouvirei...

Posted by amitaf324 at 07:19 AM | Comentários: (5)

outubro 21, 2004

Olhos


bubbles.jpg


Teus olhos belos, falantes
perdição de tempos
em ventos corridos
em madrugadas dispersos
seguindo montes e vales

Espelhos de carícias de seda
ternuras de anoiteceres
enluarados de estrelas
doce mel de mantos suaves
alegria de sentires calmos
fogosos, vivazes, curiosos

Teus olhos que buscam
penetram, enlevam
incansáveis, sofredores
perdidos em ausências
encontradas...

São traços
são linhas
são sombras
que deslizam
morosas
sem tempo
gravados
em mim
sorrindo...

Posted by amitaf324 at 09:34 PM | Comentários: (4)

outubro 20, 2004

Percursos


tarsila07.gif


Números, indicadores de horas
Horas que lembram tempos
Tempos mostando sóis
Sóis obscurecidos de lentidão
parecia
sentia

Tensões agitadoras de tempestades
Tempestades prenúncios de solidão
Solidão acompanhada ou não
se foram
voaram

Temores de ciclónicos ventos
Ventos entre pérolas e marés
Marés indiferentes da inconstância
da agitação, do descontrole
padeci
vivi

Acalmia de saberes
Saberes usados na Mente
Mente em lúcidas transparências
Transparências tornadas cores
restaram
ficaram
em meditações
análises
decisões
de paz
em mim
transmutadas em sorrisos

Posted by amitaf324 at 03:49 PM | Comentários: (9)

outubro 18, 2004

Meditações


meditation - Kat Tatz.jpg


"Deitei-me" em verdejantes prados
ao som de "Musicalidades" "Sem título"
Senti "Estranhos momentos" de "Metamorfoses"
"Poeta" "Sem" "Quadras" voei nas asas da "Avezita"
entre "O sol" e a "Escuridão"

"E ela" com seu "Momento doce" de "Saudades"
rabiscou a "Carta a um amigo"
O "Bom dia", feito de "Sonho-canção", girou
qual "Catavento" no "Silêncio" dos "Tempos"

"Sou", entre "Pérolas" e o "Espelho",
"Deambulações" no "Silêncio"
"Caminhos" de "Transparências" percorri
e "O apelo" gritei, para o vento
Me ouviram ou não, não sei...

Os caminhos percorridos
os ensinamentos obtidos
as experiências alucinantes
numa ânsia desenfreada
transmitida em serenidades
e angústias simuladas
se quedaram no Tempo
e não lamento
aventuras desconhecidas
o prazer de saberes adquiridos
absorvidos
em fugazes instantes
de Luz, dádivas e Sol.
Momentos sãos, luminosos
de azuis intensos
de marés revoltas
de meditações
musicalidades
interiormente gravados
comigo ficarão
na eternidade

Prossigo meu caminho
em acalmias de paz
nos meus lábios haverá
para sempre, até sempre
Um Sorriso...

Posted by amitaf324 at 12:09 AM | Comentários: (14)

outubro 17, 2004

O Silêncio


on the edge - Deb Zeller.jpg


O silêncio, imperador dos sentidos,
reina, em seu trono de oiro e marfim
enquanto pérolas translúcidas
mancham letras em branco

Afogo-me em sonhos forçados
onde a côr e a luz não existem
Serei, porventura, a beleza ambulante
aparecida do nada...
Serei, talvez, os momentos de doce enlevo
que voaram com o tempo do lá tão longe...
Serei um olá que a maré revolta levou
apoiada nas intempéries à solta...
Ou, com clarividência, não serei!...

O temor de solidões, sós,
dança ante meus olhos de vidro
A espera pensante dum nada
persegue meus dias, minhas noites
De alvo branco, em cinza me torno
De transparências, em opacidades
transmuto pelo silêncio enclausurada
Divagações longínquas de plenitude
do um, que ondeiam na mente
em mares azuis que tento em vão apagar
transformar em físicas utilidades

E o silêncio impera nos sentidos
no ar que não respiro, na busca
de um calado murmúrio, sem dó
nem piedade, em mim mesma...

Posted by amitaf324 at 12:47 AM | Comentários: (5)

outubro 16, 2004

E Ela...


leda and th swan - Hilary Anne Pollock.jpg


Saiu! Seu passo certo, programado,
sem pressa na aparência.
De olhar distante, vendo sem nada ver
os pequenos grandes nadas que a rodeiam
Segue trajectos calculados, meditados
minutos antes delineados

De cadência suave, altiva de nada,
cabelos ao vento, tez natural,
na sua simplicidade muito própria.
Ninguém encontra, ninguém vê.

Traída pelo olhar sereno, expressivo
de curiosidades, de procuras,
as gentes olham, seguem, se reviram
quando ela passa distraída

Os passarinhos, os melros, as rolas bravas
com seus cantares e chilreios
esvoaçam perto dizendo "Bom dia"
E ela, ao vê-los, sorri
pensando "Natureza maravilhosa!"

Sem nada procurar nem esperar
da vida, certa da rota a seguir,
caminha como se em sonhos navegasse

Interioridades musicais, coloridas
de marulhentos mares, brisas
e luares estrelados, pacificantes,
perseguem seus gestos e postura.
Que esperar da vida se a vida a espera?!

E lá vai ela, que tudo e nada vê,
cadenciada pelo seu mundo.

Posted by amitaf324 at 01:37 AM | Comentários: (7)

outubro 15, 2004

Transparências


en cada gota um arco-iris - Jorarsaa.jpg


Em transparências me vesti
A opacidade diluiu-se, em encantos
Ondulações de respirares mantenho
entre o vai-vem do dia-a-dia
igual, monocórdico, vulgar

Não mais alcanço o que restou de mim
Elemento amorfo de sentires, dúvidas
de ilusões perdidas no tempo
Nada busco. Tudo está feito, inacabado

Cores de imaginação s' evolaram
Não mais ilusões, nem centros de mundos
Tudo passou... em palavras vãs
d' esperanças e certezas ilusórias,
de momentos desejados, sem o ser,
de libertações, de voos, de sonhos
E tornei-me translúcida, transparente
impossibilitada de ver além do espelho

Sigo caminhos matematicamente delineados
sem secantes nem tangentes, sem intercepções
que alterem a rota definida
Se eu sou eu, se existo, não sei!
Me ilude vislumbrar uma réstia ténue
de esperança, um brilho no fundo do túnel
apelando à confiança em dias melhores

Transparente, escasseada de forças
a ela timidamente me agarro...

Posted by amitaf324 at 09:23 AM | Comentários: (4)

outubro 14, 2004

O Apelo


angel - Renee Zempel Chan.jpg


Dobro, desdobro, leio, releio
folhas brancas, com linhas ou letras
Busco incansável o desconhecido
perdido em papeis gravado

Pauso em respirações profundas
controladas. A oxigenação da Mente!

Um triim, ao longe, que prevejo dor
penetra lentamente em mim...

Pérolas dum orvalho deslizante
Vozes que clamam ajuda
Gritos sussurrantes de negro vestidos
entre solidões mentais e físicas
A constância de hábitos enraizados
que desfeitos pelo tempo deveriam estar
manteem sua presença quase diária,
permanentes, fortes e enérgicos

Suavemente, a voz da acalmia, controlada,
serena de paz e d' esperança
amaina a tempestade, o descontrole,
percorridos no éter por fios invisíveis
Desmembram o desatino da dor

O regresso aos papeis de dimensões
diversas, que busco, esvaiu-se
em fumos acromos, invísíveis
O apelo chama por mim e corro
numa manhã em que o sol não nasceu

Posted by amitaf324 at 10:25 AM | Comentários: (5)

outubro 13, 2004

Deambulações


In box 1- Nasrin Afrouz.jpg


Ah! Como gostaria de ver a Luz!
Sentidos trementes, comovidos
Sensibilizados por palavras belas
Em água, em mar me tornei

Deslizei, percorri caminhos, voei
Inconsciente, de mim saí
Involuntária, a Voz segui
Que ao longe aqui morava...

Entre regressos e partidas
O tempo foi passando, não notei
Em sonambulismos pela casa andei
Numa amálgama de pensares difusos
Procurando a Luz que não via
Mas que estava lá, sim, eu sentia

A mente voltou forte, analítica
Ordenando a miscelânea de sentires
E entre revirares e leituras
Entre meditações e preces
No rodeante silêncio calmo
Adormeci em paz, sorrindo...

Posted by amitaf324 at 07:20 PM | Comentários: (5)

outubro 12, 2004

Deitei-me...


untitled -Tolga.jpg


Deitei-me em pétalas de rosas
rubras, escarlates, vermelhas

Vozes sussurrantes, maviosas
envolventes, carinhosas, doces
ofertas de mel, de sonhos em azul pintados
de verdejantes montanhas e vales
de mares amenos, de sóis fulgurantes
de luares de prata, iluminando
a noite escura, densa.

Deitei-me em pétalas de rosa
púrpuras, de cobalto irisadas

Caminhos desconhecidos, inexpugnáveis
aleatórios de sentires, de pensares
claros, definidos, programados
Sem insanidade nem demência
uma certeza do incerto me guiava
conduzia, em suas mãos m' entregava

Deitei-me em pétalas de rosas
amarelas, brancas, marfim

Serenidades, o estar bem de um bem estar
junção de partes dispersas num todo
uniões, em união transformada
peles de constância, de paz abraçada
interrogações desvanecidas, desfeitas
alegrias, sorrisos, deleites, lembranças

Em pétalas de rosas me deitei!

Posted by amitaf324 at 04:30 PM | Comentários: (13)

outubro 11, 2004

Caminhos


near and far -Chris Johnson.jpg


Percorro caminhos distantes onde a esperança reside.
Longe...Lá! Tão longe...

Deixo-me envolver pelos sons de Grieg e do seu Peer Gynt, e danço em pontas, envolta em tules, luzes brancas, cores multifacetadas... e voo qual floco de neve levado pelo vento frio do norte.

Isolada, no meu canto, na sonoridade que me trespassa corpo e alma, em gradações sonoras, metálicas, de trompetes e pratos que gritam "Acorda!"

A chuva cai. Densa, pesada, em transparências invisíveis.
Fico olhando o vazio numa busca desesperada e inconstante, de quê?
Do nada! Porque nada sempre é algo. O que quizermos que seja, será!

Por momentos vagueei, percorri caminhos de ti, trilhos da tua vida. Abracei ilusões, desilusões, expectativas, cansaços, ambições, desejos.
Assim sou. Mas já não chove, o vento amainou, só o frio se mantem na noite.
Amanhã será novo dia.
A Luz trará um novo sorriso.

Posted by amitaf324 at 09:27 PM | Comentários: (6)

outubro 10, 2004

Musicalidades


feelings moving like rolling waves - Zemborain.jpg


Sussurros me posuem pela noite dentro.
Deslizantes no espaço semi-obscurecido que me rodeia, e que busco entontecida, ignorando o espaço e o tempo.

O desconhecido, nunca sentido, algures olvidado nos recônditos duma memória nunca intensamente clarividente, (des)conhecidos jamais pronunciados, quem sabe se em densas ilusões pensados...

A noite!... Irreverente, despudurada, perdida no éter de fluidos sonhados em musicalidades Wagnerianas... entre a Tocata e Fuga em Ré Menor de Bach, vagueia em mescladas luminosidades... a suavidade, a doçura harmónica dos azuis neutros, difusos, dos radiosos brancos de brilhos em ondulações de mares e murmúrios, para mim, só para mim, dum Debussy e o seu Claire de Lune...

E me perco! Me acho! Sem nada ver, só sentires em sonhos sonhados...
E vejo! Mas a cegueira é minha madre, que caminha sem guia, sem norte...
E sinto... sem sentires! Onde a ilusão impera!

Oh noite! Pérfida e inclemente, que com teus tentáculos me abraças, me levas para além dos sonhos!
Em palavras (in)distintas me perco! Que ouço, que não ouço, mas que me transmutam,
em perdições de eus...

Ao longe, ouço Jean-Michel Jarre no seu concerto na China...
A realidade chama por mim...
Sonhei?!? Divaguei?!?
Ainda não sei...

Posted by amitaf324 at 10:23 AM | Comentários: (7)

outubro 08, 2004

Momento Doce

Andean dream - Lucia Haack.jpg


Meu homem feio, coração encantador
Ao meu lado não estás presente
estiveste, sempre, com teu profundo olhar
parcas palavras, gestos discretos
de carinho subtil, de sorriso iluminado
quando me olhavas...
Eu sorria, distraída, confortada
Teus versos, tua prosa, as melodias
Ah!... As melodias! Sussurradas
trauteadas baixinho, para mim, sentia...
Teu ar sereno, de paz, de dádiva
dum carinho e amor imensurável
Enclausurada no meu mundo
penetraste, incutiste tua beleza
a interioridade, de mansinho...
sem me aperceber...
E tudo ficou comigo, reconheço.
Tua ruga vincada de preocupação
nos passados momentos difíceis
se amenizava me mirando, vendo
constatando a força que herdei de ti
Mas partiste, não avisaste, nada disseste!
Meus olhos num instante secaste
Incrédula, in-consciente do saber
da certeza de não mais te encontrar
Re-vejo-te a todo o momento, em mim
Sou tua criação, desenho, cópia
luz interior, ânsia de paz, d' alegria
Não estás e estás...
sorrindo, meu amado pai.

Posted by amitaf324 at 09:07 AM | Comentários: (9)

outubro 06, 2004

Entre...


Entre sonhos e sentires
Entre ânsias e quereres
Entre desejos e ilusões

Estás tu, sempre, cada segundo
No meio da turbulenta tempestade
ouvir-te, ler-te, me serena

Entre lágrimas e tristeza
Entre pesares e dores
Entre amargura e perdição

Minha alma s'ilumina de paz
Com tua pele sempre visto

Entre prados e montanhas
Entre o mar e a serrania
Entre sóis e entardeceres

Te encontro, constante presença
Meu porto d'abrigo, esperança

Entre tremuras e temores
Entre miragens e medos
Entre re-encontros e partires

M' iluminas, dás força, m' acalentas
acarinhas, abraças em sonhos
de um longe em mim colado

Temerosa do desconhecido, voo...
Em água, sal, pão, mel
em rocha, jangada, navio
leme, vela acesa, luz constante
árvore frondosa, me transformo
de, para só por ti. E sorrio...

Posted by amitaf324 at 03:34 PM | Comentários: (6)